Caminhando

Novembro 25, 2009

Hoje dormi demais de novo. Ok, chega desse tema.

Cansado de ficar aqui no cativeiro resolvi dar uma caminhada, quando tava saindo tinha um bilhete da dona do apartamento dando uma” bronca simpática” em mim e na outra inquilina sobre respeitar o schedule da limpeza hehe fiquei com cara de bunda mas depois ela me chamou e conversamos na boa.

Um costume que não quero perder quando voltar à São Paulo e que ganhei aqui é o de caminhar todos os dias, como é bom. Por mais que Sampa seja uma cidade que desestimula essa atividade vou tentar manter. Quando cheguei aqui eu tava tão desacostumado a andar e sedentário podre que fiquei vários dias com dores nas pernas.

Ontém perdi 80 minutos da minha vida assitindo 2012, outra vez o “american white guy saves the world ” haha, não esperava nada demais, só ver tsunamis, porque sonho com eles direto.

E lá se vai mais um dia.

Eu me cobro demais. Isso é fato. Resolvi relaxar cada vez mais sobre esse tema, sobre ser bem sucedido e outras questões que pairam sobre uma cabeça de 30 anos. ¨Relax take i easy¨ já diria Mika, mas não precisa se cobrar tão de menos. Nos últimos dias estive um verdadeiro vagau, só na cama com o notebook no colo vendo facebook, twitter, orkut, ffffound, jogando conversa fora no msn e essa tranqueirada toda. Não limpei a casa, quase não estudei e virei um estudante que não estuda, um leitor que não lê.

Porque esse questionamento todo? Por que não quero refletir daqui há um ano sobre minha estadia aqui e perceber que joguei tanto tempo fora dormindo, deitado e na internet. Teve dia que nem comi de preguiça de me preocupar com isso. Vim aqui pra adquirir conhecimento, experiência, melhorar minhas técnicas de omelete e evoluir ( me divertir também).

Ontém consegui dormir por volta da uma da manhã e acordar nove e meia hoje. Já consegui fazer muita coisa. A primeira batalha está ganha. Agora quero descobrir com quem tá a chave da porra da cobertura do prédio porque quero ir lá ler no sol morno de outono ao invés de ficar aqui no meu modesto cativeiro.

Festa no apê

Novembro 22, 2009

Ontém rolou festa no apê da minha amiga Portuguesa Rita, aquela coisa… pessoal da classe se enturmando, todo mundo tomando todas, tava engraçado demais.

Acabei dando uma de Dj no ipod e me diverti vendo os gringos ouvindo Fausto fawcett, herva doce, metrô e João penca e seus miquinhos amestrados sem fazer a mínima idéia do que se passava. De lá fomos pra uma balada que ficava dentro de um prédio residencial, uma merda. Lotado e 5 euros uma cerveja.

Hoje dormi praticamente o dia inteiro, assisti finalmente O Dorminhoco do Woody Allen, muito engraçado por sinal. Depois saí de novo com o pessoal da classe pra beber, mas dessa vez só os homens. Rendeu boas risadas.

Muitas saudades de alguém.

Saco vazio não para em pé.

Novembro 20, 2009

Eu não podia perder a piadinha infame com a temática saco, me senti um estagiário de redator ao pensar nesse título.

Fui dormir 5:40 da manhã, assisti na madrugada o filme alemão “A ONDA”, que eu definiria como porrada no estômago, de tão bom. Só ajudou a aumentar a minha convicção de não fazer parte de torcida de futebol, partido político e qualquer afiliacão. Nós humanos (cruamente falando) não somos mais que macaquinhos que montam grupos chamados comunidades pra sobreviver mais seguramente na floresta.

Conversei no msn com uma amiga que andava de skate comigo na época que ICQ era novidade e o Bate-papo do uol era a “coqueluche do momento”. É bom ver como amizades serenas sem a cobrança do ” você sumiu hein?” “vamo marcar…” sobrevivem ao tempo.

Hoje fiquei o dia inteiro deitado devido a ressaca da dor no saco (ha!) e to sobrevivendo só com um café, um pedaço de queijo e outro de chocolate.

Deixa eu ir lá comer algo porque saco vazio não para em pé (Ha!).

Saco cheio – the day after

Novembro 19, 2009

Resultado da catastrófica história de ontém passei o dia na horizontal, sem culpa.

Não fiz nada de útil, acho que vou assistir ” O Dorminhoco” do Woody Allen que baixei.

No fim das contas acabei contando pra minha colega da pós que eu tava com dor no saco mesmo e foda-se, quanto à coordenadora ela me ligou pra falar da reunião com o cliente, eu tava dormindo e sem consguir pensar muito no que dizer disse que a inflamação era na virilha. Acho que a palavra não existe em castellano, ou seja ela fingiu que entendeu e eu fingi que era verdade. Amanhã tem festa da classe e vou ficar só no refri por causa do antibiótico, espero que a história do saco não tenha se espalhado ou vou ser motivo pra galhofa.

Meu amigo e assistente Leandrão está deixando a agência. Uma pena, mas boa sorte ao moleque.

Amanhã já que vou ficar deitado pretendo fazer umas caricaturas dos amigos, e organizar músicas e arquivos e dar uma diminuida no uso de twitter, facebook essas merdas que só roubam tempo.

O Dia do saco cheio

Novembro 18, 2009

Não escrevo nesse blog há muito tempo, mas hoje me dei conta que existem dias em nossa vida que merecem ser registrados, não pra atrair uma legião de leitores, ou para impor minha opinião e demonstrar a qualidade (ou a falta dela) em minha escrita. Foda-se. Já dizia meu estimado Ernesto Sabato “viver é construir futuras lembranças.” Um blog despretensioso me servirá como uma boa ferramenta pra ajudar a lembrar o que não quero esquecer, e transformar o que gostaria de esquecer em comédia.

Faz uns dois anos, assisti uma comédia argentina chamada “Não é você, sou eu”, o protagonista que acaba de levar uma “patada en el culo” da namorada procura um analista pra choramingar. O doutor tranquilamente lhe propõe esta idéia: Existem três grandes grupos de dias na nossa vidas:

  • A) OS NORMAIS: que não faz a mínima diferença se você lembra ou não porque não houve nada além da rotina e são a maioria.
  • B) OS ÓTIMOS: O dia do primeiro beijo, a primeira bronha, perder a virgindade, passar na faculdade e por ai vai, e que são raríssimos.
  • C) OS DIAS DE MERDA: Aquele dia que a primeira merdinha que acontece desencadeia uma sequência delas e cria um dia que você gostaria de esquecer, mas que se torna inesquecível de tão merda.

Hoje eu vivi um DIA DE MERDA em toda sua plenitude.

Se você tem um inimigo e quer que ele se foda, deseje a ele uma epididimite. É uma inflamação na bola do saco, uma dor do caralho, literalmente.

Liguei pro plano médico no Brasil e me atende uma voz de telemarketing bicha pão com ovo:

Ele: Ondeam é exatamentchi o problema senhóar?

Eu: _humm… é.. no tornozelo.

Ele: Ok

Três minutos depois me liga um atendente espanhol:

Estamos te indicando pra um ortopedista.

Eu: na verdade… necessito de um urologista.

Cinco minutos depois liga a Bicha de novo, e brava:

Ele: Ondeam é exatamentch o próablemam senhor??!:

Eu: Amigão, eu to com uma puta dor na BOLA DO SACO!

Definido o hospital onde eu deveria ir, mancando e com uma dor filha da puta chego ao metrô. A passagem custa 1,35 e eu tinha 1,30 de moedas. Tentei então comprar com o cartão de crédito que é novo e a senha deu inválida. Ok, Ok Nelson vamos tentar comprar na máquina com uma nota de 50 euros; óbvio que a máquina não tinha troco e não aceitou a nota. Então em condições super favoráveis ( como se uma mão invisível apertasse meu saco) pulei a catraca.

O hospital era longe da estação, a rua não aparecia no mapa, andei mais de 30 minutos mancando e achei a clínica. Na sala de espera comigo estavam: uma mãe e filha brigando em catalão, uma mulher de máscara e suspeita de gripe H1N1 tossindo do meu lado, um velhote dormindo e uma máquina de café. Café ! boa pedida, custava 1,30. Coloquei as moedas na máquina e a última de 10 cents a máquina não reconhecia. Larguei o dinheiro lá e me dediquei a falar todos os palavrões que me lembro ter aprendido até hoje. Quando desisti daquela merda e abro meu livro o que esta lá? uma porra de uma moeda de 10 cents! bingo! Sorte? Não, só fui chamado pro atendimento uma 1:20 minutos depois.

Fui atendido as 4:45 da tarde sendo que cheguei as 2:20, a médica apertou meu saco bem onde doía, e soltei putaquipariu em português mesmo. Ela disse que a coisa tava feia mas um urologista viria me ver em 40 minutos.

Me mandaram pra um cubículo que parecia o quarto da quarentena do Vito Andolini no Poderoso chefão 2 e esses 40 minutos viraram 3 horas, o cara veio apertou meu saco de novo com mais força me encheu de antibióticos, me mandou ficar deitado de repouso por 48 horas e a enfermeira mexicana me aplicou uma injeção dolorida pra caralho. Estiquei o braço pra ela aplicar a injeção e ela apontou pra minha bunda e disse singelamente: “No en el brazo, en la culeta.”

Apenas um detalhe, amanhã é a reunião mais importante com o cliente do meu projeto da pós-graduação e pra justificar a falta numa reunião tão importante como essa, terei de contar pra minha colega do grupo e pra minha orientadora que estou com problema no saco.

Bom amiguinhos, esse foi um dia de merda, pelo menos li um livro muito bom sobre psicologia da cor enquanto esperava o médico, aprendi a palavra “culeta”, vi uma muçulmana chinesa no metrô e comprei uma caixa de Dunkin Donuts pra comer nas próximas 48 horas que permanecerei em posição horizontal.

Até a próxima.


hip hop americano enlatado com batida de palminha eletrônica e voz de robô = mau gosto musical + celulares que tocam mp3 + volume alto + metrô + carão é nóis = vixi mano o baguiu é doido + eu tentando ler = ah deixa pra lá+ chega logo na minha estação = ufa!!!!

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Junho 11, 2007

Olá amigos! (eco) de volta ao blog abandonado. vou reativá-lo.

em breve aqui meu diário de viagem pela América do Sul.

Você acabou de entrar na faculdade de Desenho Industrial (na melhor das hipóteses, e na pior acaba de concluir um pacote de cursos da microlins de photoshop e corel draw.) e já tem um belo cartão de visita impresso na sua casa em Inkjet com seu nome “fulaninho de tal”, DESIGNER GRÁFICO. Meus Parabéns! Se é isso que você escolheu para sua vida profissional, vá em frente. Agora com licença, farei uso nesta carta de linguagem vulgar e norma inculta: você se fodeu amigo.

Aconselho que continue desenhando seus mangás fora de proporção ou fazendo flyers de aniversário de amigos e encare isso como hobby, vá fazer advocacia, veterinária ou gestão de alguma coisa. Do contrário você irá trabalhar sem registro, sem horário fixo e sem sindicato. Até existe uma associação de designer gráficos, mas eles não vão fazer nada por você, são algumas pessoas que ficam discutindo quem nasceu primeiro, o design ou o designer, promover exposições onde os amiguinho se dão prêmios uns aos outro e utopicamente discutem e choram porque o mundo não entende que são enviados de Deus para embelezar o mundo e ninguém se importa com eles. E é verdade, ninguém se importa.

Você está estudando Gestalt, psicologia da cor e pesquisa em design? rindo muito lhe advirto: esquece, você nunca vai usar isso.

Sabe porque estou sendo tão azedo?

Porque criei uma capa de livro para uma das maiores editoras do pais e recebi de volta um email pedindo para que use uma foto de pôr-do-sol, uma tipologia escolhida pelo cliente, posicionada da maneira que ele solicitou, com a cor que ele solicitou. Ou seja, meu trabalho não valeu de nada.

E agora a dica mais importante, não se enerve com esse tipo de fato, ele não é isolado, irá fazer parte do seu dia-dia.

Só para fechar, você está começando agora, precisa divulgar seu portfolio. Não faria um site para minha empresa? Também estamos começando agora e não posso lhe pagar. você faria de graça?

Pense nisso.

O silêncio confortável.

Março 23, 2007

Alguns assuntos já foram tão amplamente discutidos e mastigados que ando preferindo o silêncio ao invés de dar minha opinião. Quais assuntos? Tantos… mazelas da vida cotidiana, política, religião. O ponto máximo da convivência humana agradável na minha opinião (que ironia!) é quando duas pessoas dividem entre si um silêncio em que cada um está em paz, do que opiniões que se assemelhem, gerando um clima de “já que concordamos, somos nós contra eles agora”.

Bom deixa eu ficar quieto…