Saí de casa na quinta-feira passada e fui pra aula totalmente inclinado à voltar cedo e concluir um trabalho que estava pela metade e deveria enviar ao Brasil no dia seguinte. No fundo no fundo eu sabia que iam acabar me convidando para “unas copas” e já que não sou muito dado à disciplina ia acabar bebendo apenas uma, que virariam duas, três, quatro. Dito e feito, novidade pra ninguém meia hora depois da aula estou eu lá no bar tagarelando.
Duas e tantas da madrugada Eu, Silvana e Sjaak estávamos bêbados e famintos buscando um maldito mc donald’s aberto, mas aqui em Barcelona 24 horas só haxixe mesmo e acabamos indo embora cada um pro seu lado e com fome. Caminhando de volta eu não conseguia pensar em muita coisa além de um omelete e um café forte pra passar o resto da madrugada trabalhando.
Um frio desgraçado, tinha visto na previsão que estava por volta de seis graus. Cheguei. Saio do elevador, estou na porta de casa e a imagem do omelete vai se tornando real…, introduzo a chave na porta e o ouço o confortante barulho característico dessas portas velhas e pesadas de apartamento antigo, giro-a e… CREC. Vamos lá outra vez… e CREC. Caralho essa porra tá de brincadeira comigo, nada da porta abrir. Saquei o mcgyver (meu canivete) do bolso e tentei arrombar a fechadura e nada. Meti o dedão no timbre e PÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉNNNN, e mais uma vez PÉÉÉÉÉÉÉNNNNNN, (a campainha de casa é daquelas toscas de sonoplastia de filme de terror) várias vezes e nada das meninas que moram comigo acordarem.
Enfim, deitei no aconchegante chão de mármore num frio da porra, e dormia de 10 em 10 minutos sonhando com o momento de uma das companheiras de piso sair pra trabalhar. Ouvi o pessoal que acordava pra mijar, os despertadores tocando, os primeiros ônibus… que noite de merda, mas com a cara no piso gelado já pensava em maneiras de narrar isso aqui no blog.
A razão dessa merda toda foi que uma das meninas esqueceu a porra da chave na fechadura, e travou. Quando ela saiu pra trabalhar me encontra parecendo um mendigo dormindo no pé da porta e começa a chorar: Noo! has dormido en el suelo frío! la culpa és mía! Por Dios! Acabei ficando com dó dela e rindo: No Pasa nada! no pasa nada!
Dormi um pouco e terminei o trabalho zonzo de sono e com ressaca, mas acabou dando certo.
Quando a menina voltou do trabalho, pra aliviar a culpa me deu um vinho de presente.